Capítulo Nove: Apostando Novamente na Alta

Tangan Emas Super Xiao Xiao Yu 2631kata 2026-03-17 03:08:26

Sempre que alguém decide cortar uma pedra bruta, haverá curiosos a assistir; e, ao perceberem que era Li Yang quem se preparava para o corte, muitos entre a multidão começaram a murmurar. Todos sabiam do episódio recente em que Li Yang obtivera grande lucro apostando em pedras, e agora, ao vê-lo por dois dias consecutivos, muitos passaram a nutrir pensamentos semelhantes aos de Zhang Ying.

Li Yang, porém, não se preocupava com tais rumores; atentamente, seguia as instruções do vendedor sobre como proceder ao corte. Sua mão tremia levemente de excitação, e só com o auxílio do vendedor conseguiu posicionar a pedra e a máquina de corte, preparando-se, então, para o momento decisivo.

O ponto escolhido por Li Yang não era o centro da pedra, pois ali partiria o verde em seu interior; preferiu uma posição mais recuada, cortando apenas um canto. Esse gesto suscitou ainda mais risos entre os presentes, muitos ansiosos por testemunhar a queda de Li Yang.

Assim são as pessoas: em se tratando de outro, talvez não houvesse tanta torcida pelo fracasso; mas, sendo Li Yang, era diferente. A inveja do sucesso recente ainda os corroía, e no íntimo desejavam vê-lo perder algumas apostas, para que o jovem aprendesse que o jogo das pedras não era simples divertimento.

“Kalah!”

Com um único golpe, a pedra de tamanho modesto dividiu-se em duas. O vendedor enxugou a água da superfície cortada e, de imediato, a multidão irrompeu em clamor.

“Subiu, subiu! Aposta vitoriosa!”

Das duas metades, a maior já revelava um tom esverdeado, ainda que pálido, não tão puro nem tão belo quanto o jade cortado no dia anterior, mas suficiente para atestar o êxito de Li Yang.

Tanto o vendedor quanto Zhang Ying fitavam, atônitos, a pedra. Ninguém esperava que Li Yang, de um bloco de aparência tão pouco promissora, conseguisse extrair valor.

“Irmão, ofereço dez mil por esta meia pedra bruta — aceita vender?”

Entre a multidão, alguém logo fez oferta pela pedra de Li Yang. Assim funciona o jogo: basta um corte vitorioso para surgirem interessados, pois só no final se sabe o que a pedra guarda; muitos, avessos ao risco, preferem vender logo e garantir o lucro.

Mas Li Yang não era desse tipo; para ele, aquela pedra agora era material transparente, e jamais a venderia pelo preço de semi-bruta.

“Não vendo, senhor. Por favor, ajude-me a cortar o restante!”

Li Yang sorriu e recusou. Não podia arriscar mais cortes — e, por não dominar a delicada arte de lixar, temia perder parte do verde.

“Muito bem, meu rapaz, aguarde um instante: vou retirar todo o verde para você!”

O vendedor, satisfeito, assentiu. Não sentia inveja do êxito de Li Yang; nos velhos tempos apostara em muitas pedras e conhecia bem o sabor de enriquecer ou empobrecer com um único corte. Ele mesmo já tivera ganhos ainda maiores, mas as perdas eram mais frequentes, e por isso já não invejava o sucesso alheio.

A roda diamantada da máquina girava veloz; o vendedor, concentrado, dedicava-se a abrir a pequena pedra, enquanto à volta muitos apontavam e cochichavam sobre Li Yang — o segundo êxito consecutivo o tornava ainda mais notório.

Em menos de meia hora, todo o verde foi extraído da pedra: mais de um quilo de jade, do tamanho de um pequeno punho, translúcido, luminoso, de um verde vívido que aguçava a cobiça.

O vendedor aproximou-se de Li Yang e, admirado, exclamou:

“Irmão Li, tua sorte me deixa pasmo; em três dias, apostou três vezes e venceu duas, e em ambas com grandes lucros!”

Li Yang recebeu sorrindo a peça de jade, de um verde suave — era uma bela esmeralda do tipo furong, não tão valiosa quanto o jade de tipo alto gelo e verde-amarelo do dia anterior, mas ainda assim excelente. Com o valor do jade em ascensão, aquela peça certamente alcançaria preço elevado.

Segurando o jade refrescante, Li Yang olhou ao redor. Logo após o corte, surgiram ofertas; agora, porém, reinava o silêncio, e ele se sentiu frustrado por não saber ao certo quanto valia sua pedra.

“Li Yang, em nome da empresa, ofereço trezentos mil por essa peça. Que me diz?”

Zhang Ying lançou-lhe um olhar discreto. Ele tinha autoridade para tal — acima de quinhentos mil precisava de aprovação, mas até trezentos mil podia decidir, desde que valesse a pena. Se desse prejuízo à empresa, porém, seus dias estariam contados.

“Trezentos mil? Tanto assim?”

Li Yang se surpreendeu: comparando com a peça do dia anterior, sabia que esta era inferior, e esperava vendê-la por alguns milhares, talvez cem mil, nunca trezentos mil. Mas não se deixou abalar — depois de negociar por cento e vinte mil, trezentos mil já não lhe causavam vertigem.

Zhang Ying assentiu: “No mercado, vale isso. Claro, pode guardar — jade de alta qualidade tende a valorizar muito com o tempo.”

Todos fitavam Li Yang. Antes que respondesse, alguém se adiantou: “Rapaz, dou trezentos e vinte mil. Deixe essa peça comigo, que tal?”

Ninguém ofertara antes porque sabiam que Li Yang era da Anshi Joias, e a prioridade seria da própria empresa. Agora, com o lance oficializado, outros se animaram.

Sabe-se: a esse preço mal se lucra, e quem não tem meios próprios pode até amargar prejuízo. Mas o dono da loja estava aflito — a matéria-prima de jade nobre escasseava, suas vitrines estavam vazias e, sem renovar o estoque, perderia todos os clientes.

Trezentos e vinte mil. Li Yang vacilou e olhou para Zhang Ying — ganhar mais dois mil era sempre vantajoso.

O semblante de Zhang Ying fechou-se; não se irritava com Li Yang, e sim com o outro comprador. Seu lance de trezentos mil era justo, e Li Yang era funcionário da casa. Aquele lanceador externo só queria constrangê-lo.

“Senhor, peço desculpas: antes de apostar hoje, prometi ao nosso gerente vender à empresa caso encontrasse jade de qualidade. Palavras têm peso, e só posso agradecer sua gentileza.”

Vendo o rosto de Zhang Ying, Li Yang rapidamente teve uma ideia e falou sorrindo ao comprador. Suas palavras dissiparam as nuvens do rosto de Zhang Ying, que explodiu num largo sorriso.

“Senhor, espero que a explicação do nosso assistente Li o satisfaça.”

O tom de Zhang Ying era cordial, mas a postura, altiva; afinal, Anshi era líder do setor, e ele, ainda que gerente de filial, nutria seu orgulho. Da vez anterior, explicara-se para evitar parecer prepotente; mas agora, era o outro quem o constrangia, e precisava afirmar sua posição.

“Satisfeito, satisfeito, gerente Zhang. Peço desculpas.”

O comprador sorriu amargamente e se retirou. No fundo, sabia que sua atitude fora, de fato, pouco elegante — quase uma tentativa de aliciar funcionário alheio. Com a recusa de Li Yang, não lhe restava senão sair de cena.

Quando o comprador se afastou, Zhang Ying voltou-se para Li Yang, sorrindo:

“Li Yang, o banco já fechou hoje. Podemos transferir amanhã pela manhã?”

“Claro, fique à vontade!” — assentiu Li Yang. Lamentou não poder ir ao banco — não pelo dinheiro, mas porque teria de passar a noite com a pedra de trezentos mil. O centro de exposições já estava fechado, e não havia como deixá-la ali.

Esse era um traço de seu espírito camponês: antes, nunca passara uma noite sequer com algo de trinta mil em valor, quanto mais trezentos mil. O receio era natural — assim como alguém com alguns milhões de patrimônio se inquietaria ao portar um objeto de dezenas de milhões.