Capítulo 6: Fogo Celestial
O Pteranodon ficou profundamente alarmado; jamais imaginara que Bai Yan ousaria atacar os soberanos dos céus. Assustado, soltou imediatamente suas presas e desviou-se do ataque, perdendo o jovem dinossauro recém-capturado.
O velociraptor que escapara por entre as garras aterrissou novamente no solo, lançando a Bai Yan um olhar de gratidão — se não fosse pela coragem deste, que arriscara a própria vida para salvá-lo, certamente teria encontrado a morte.
“Vá depressa!” exclamou Bai Yan, incitando o velociraptor a não desperdiçar tempo. Ele próprio não sabia se conseguiria realmente intimidar aqueles Pteranodontes; em combate terrestre contra adversários do céu, suas chances eram escassas. Ademais, os Pteranodontes eram criaturas de porte colossal: com asas que, quando abertas, atingiam onze metros de envergadura, e altura de cinco metros, impunham-se como verdadeiros titãs.
“Sim, sim.” A pequena velociraptor anuiu, obedecendo prontamente às palavras de Bai Yan e correndo para juntar-se ao grupo principal.
Bai Yan virou-se, assumindo sozinho a retaguarda. Diante dos imponentes Pteranodontes, não se deixou intimidar e rugiu algumas vezes, desafiador.
Não ceder, ainda que em desvantagem; em combates, a imponência é tudo — quem ruge mais alto, impõe-se. Na memória de Bai Yan, o povo russo enfrentava ursos com as próprias mãos, confiando na força do espírito. Assim, mesmo sem plena convicção, Bai Yan disfarçou e exibiu sua fúria: eis o bramido do dragão indomável!
“Guu—” Os Pteranodontes, de fato, pareceram hesitar. Fixados pelo olhar dourado e fulgurante de Bai Yan, não ousaram avançar. Após alguns rugidos de resposta, recuaram, tomados por um temor inexplicável, e por fim bateram em retirada.
Observando as vastas asas dos Pteranodontes cortando o céu ao deixar o local, Bai Yan enfim aliviou-se; se o combate fosse inevitável, estaria perdido.
Nos seis meses anteriores, Bai Yan classificara os dinossauros por tamanho em três categorias: pequeno, médio e grande. Contra dinossauros de pequeno porte, entre um e dois metros, tinha boas chances de vitória; contra os de porte médio, de três a cinco metros, não; quanto aos gigantes de seis a dez metros ou mais, o melhor era fugir sem hesitar.
De volta ao acampamento, após o perigo dissipar-se, Bai Yan armazenou a carne restante do ornitomimo em um canto seco e fresco da caverna. Se ao menos tivesse fogo, poderia assá-la: banquete inigualável o esperava.
Saciado, Bai Yan decidiu crescer durante o sono, empregando os pontos genéticos adquiridos do ornitomimo para aumentar seu porte — quanto maior, maior a segurança, e talvez pudesse enfrentar os grandes dinossauros de igual para igual.
Além de altura e peso, Bai Yan podia evoluir em outros aspectos: cauda, couraça, força de mordida, velocidade.
A cauda longa ampliava o alcance dos ataques e o poder, mas também revelava mais vulnerabilidades — era preciso equilíbrio. A couraça fornecia defesa. A força de mordida, letalidade. E a velocidade, tanto para caçar quanto para fugir.
Para vencer o tiranossauro que enfrentara outrora, ainda havia muito a preparar; o momento de vingança não chegara, restando-lhe apenas paciência e prudência.
****
“Nuvens ribombam—”
Naquela noite, trovões ensurdecedores cortaram o céu, enquanto relâmpagos azulados dançavam entre nuvens densas e sombrias — prenúncio de chuva iminente. Bai Yan apressou-se em conduzir os velociraptores para o abrigo da caverna, onde, juntos, aqueciam-se. Animais de sangue frio, detestavam o frio: perdiam toda a eficiência e mobilidade.
Foi então que Bai Yan evoluiu e fez crescer penas, preservando sua temperatura corporal. O processo era reversível e custava apenas alguns pontos genéticos: cerca de dez, insignificantes diante dos trinta pontos oferecidos por um ornitomimo. Bastava alimentar-se um pouco mais e recuperaria o gasto.
A irmã velociraptor aninhou-se junto a Bai Yan, roçando-se afetuosamente em agradecimento pela salvação daquele dia. Bai Yan não pôde deixar de sorrir com amargura: solteiro há tanto tempo, agora até um velociraptor lhe parecia de traços delicados e encantadores — nada monstruoso, como nos filmes de Jurassic World. Eis o paradoxo da mente.
“Crac!”
Subitamente, um relâmpago cortou o céu, caindo a poucos metros da entrada da caverna. Atingiu uma árvore, cuja seiva, em contato com o calor extremo, fez-se chama ardente, iluminando a floresta ao redor.
“Fogo!”
Bai Yan exultou. O que isso significava? Ele agora possuía a centelha do fogo!
Na natureza, sem pederneiras ou isqueiros, acender fogo era impossível — tudo era primitivo. E quanto a friccionar madeira, com aquelas garras minúsculas de velociraptor, uma tarefa irrealizável. Bai Yan ansiara por este momento: o fogo ofertado pelos céus!
Os velociraptores, porém, não compreendiam a razão de tanta euforia; desconheciam o que era o fogo.
Bai Yan correu, trouxe um ramo ardente, cavou um pequeno buraco na caverna e ali empilhou galhos. Logo, uma fogueira acolhedora aquecia a todos. Bastava preservar a centelha, e nunca mais teria de comer carne crua.
Os velociraptores, maravilhados, observavam, divididos entre o instinto de medo e a atração pelo calor. De onde Bai Yan teria tirado conhecimento tão avançado?
Aprender a dominar o fogo na era pré-histórica era uma façanha que superava todos os outros dinossauros.
A caverna era profunda. Bai Yan ocultou a fogueira no fundo, para que a luz não denunciasse o esconderijo. Caso fosse descoberto por engenheiros extraterrestres, estaria perdido.
Colocou a carne caçada pela manhã sobre a fogueira, espetando-a com um galho. Logo estava assada, o aroma delicioso e o óleo gotejando sobre o fogo, emitindo um sibilar tentador.
Quando tudo pareceu no ponto, Bai Yan soprou para esfriar e, ansioso, deu uma mordida. O sabor surpreendeu-o.
Delicioso!
A carne de dinossauro, suculenta e tenra, era de uma textura irresistível. Pena não possuir temperos: o sabor era suave, porém imaginava-a polvilhada com cominho ou páprica, assada em fogo alto, dourada e a pingar gordura. Seria um manjar dos deuses.
Bai Yan assumia-se um amante da boa mesa: que mal há em desejar prazeres à própria boca? Negar-se a tais deleites era inconcebível.
Os velociraptores, salivando, fitavam-no com olhos ansiosos, desejosos de compartilhar do banquete.
“Muito bem, muito bem — todos terão sua parte. Ou melhor, todos os dragões terão.” Bai Yan lançou porções de carne assada aos demais, para que provassem.
Os velociraptores disputaram cada pedaço com avidez, reagindo exatamente como Bai Yan.
“Chefe! Como chama esta maravilha?”
“Sim, está delicioso!”
“Quero mais!”
Os velociraptores exclamavam jubilosos, declarando jamais terem provado algo tão saboroso. Antes, comer carne crua era como mastigar barro; agora, era puro deleite. Suplicavam a Bai Yan que assasse mais.
“Chama-se churrasco.”
Bai Yan sorria, resignado. Estaria agindo certo ou errado? Talvez os mimasse em demasia, mas ao menos incentivava neles o desejo de caçar — o que, afinal, era benéfico.
(Os velociraptores não falam de fato; a comunicação se dá por ondas cerebrais e Bai Yan interpreta-lhes as intenções. O autor, para dar vida e leveza à narrativa, recorre a esta personificação, pois uma história feita só de grunhidos seria enfadonha.)
Saciado, Bai Yan cogitou: talvez fosse o momento de tentar capturar um Pteranodon. Após o embate daquele dia, invejava-lhes a supremacia nos céus.
Por ondas cerebrais, Bai Yan perguntou à mãe-dragão: “Mãe, sabes onde habitam os Pteranodontes?”
“Pteranodontes?” A mãe-dragão inclinou a cabeça, intrigada.
“É... aqueles dinossauros que voam.”
“Ah, creio que nas proximidades do vulcão haja seu território — mas é melhor não provocá-los.”
“Entendo.” Bai Yan percebia bem a diferença de forças. Os Pteranodontes, com onze metros de asas abertas, eram imensos. Se o Tiranossauro era o senhor da terra, o Pteranodon era soberano no céu — ambos adversários temíveis.
Apressar-se era imprudente. Se pudesse voar, controlaria as enguias elétricas dos rios — que maravilha seria! Mas atacar os Pteranodontes agora era suicídio.
Enguias elétricas: desejo-as, como desejo os Pteranodontes; mas não se pode obter ambos. Como escolher?
Bai Yan meditou longamente, até que uma nova ideia lhe ocorreu: talvez pudesse aproveitar uma grande seca para capturar as enguias.
Na era pré-histórica, meses inteiros sem chuva eram comuns, seguidos por chuvas intermináveis. Muitos animais morriam de sede na estiagem. Quando o leito secasse, que chance teriam os seres aquáticos?
A ideia pareceu-lhe cada vez mais viável; bastava paciência até a estação seca.
No dia seguinte, Bai Yan lançou-se a uma grande empreitada: bloqueou, com terra, o curso inferior do rio, prendendo as enguias no alto curso, abaixo de uma queda d’água de sete metros — impossível para elas subirem. Quanto ao alimento, peixes desciam ocasionalmente das nascentes, portanto não morreriam de fome. Assim, Bai Yan conseguiu, de certo modo, criá-las em cativeiro.