Capítulo Nove: Calculando, a Vida Não Passa de um Sonho Efêmero

Kegembiraan di Atas Singgasana Mu Fei 2412kata 2026-03-17 03:15:45

        No olho do furacão, Dan Li não se afogou sob a súbita enxurrada de insultos.     Permaneceu serena, com os olhos negros e brilhantes piscando ao olhar para todos.     Piscou uma vez.     Piscou, perplexa.     “Caras mães consortes, irmãs, tias, damas…”     Dan Li saudou a todas de uma vez só, sem pausas, com uma cortesia impecável.     “Por que estão tão agitadas?”     Continuou, piscando com confusão. “Será que estão famintas, sem ter comido, e por isso estão tão irritadas?”     O silêncio caiu sobre todos.     Não porque ela tivesse razão, mas porque estavam tão furiosas que a visão lhes escurecia, incapazes de dizer uma palavra.     Contudo, por vezes, o absurdo é o que mais se aproxima da verdade.     No Salão Fongxian, todos já estavam há um dia e uma noite, gelados e famintos.     Na aurora, pães foram entregues, mas a facção da Princesa Imperial recusou-se a tocar em alimento do inimigo, e os demais, em nome da dignidade, também se abstiveram.     Quando o frio e a fome consomem o homem, e este descobre que alguém no grupo se alimenta bem e veste roupas quentes, ainda mais quando tal privilégio advém de humilhação e servilismo, como não se incendiaria o coração de todos?     Sim, a fome e o frio são a fonte da ira…     “Ha… palavras muito bem ditas!”     Uma risada estrondosa rompeu o clima de morte no salão. A porta principal se abriu, e de repente, uma cascata de luz de velas iluminou o ambiente; à frente, estava aquele que todos chamavam de “falso imperador”, “usurpador”—Qin Yu, Imperador Zhaoyuan.     Qin Yu vestia, como sempre, a simples túnica negra, com fios dourados discretos atados ao colarinho—evidência de que acabara de retornar do frio exterior do palácio.     Atrás dele seguia Xue Wen, sempre sorridente e solícito, cuja competência em servir ao imperador fazia Dan Li pensar que ele parecia mais um grande eunuco do que um secretário.     Felizmente, ela soube conter a língua e não revelou este pensamento—afinal, as belas roupas e a comida farta eram dádivas suas, e ela conhecia bem o velho ditado: “quem recebe, cala”.     O Imperador Zhaoyuan lançou um olhar a Dan Li: “Venha.”     Ela aproximou-se. O imperador a examinou brevemente e comentou, com indiferença: “Vejo que teu ânimo não está ruim…”     Sem esperar resposta, voltou-se para as damas do palácio vestidas de luto.     

        Ao passar com seu olhar profundo e sombrio, o ar severo acumulado por anos no campo de batalha fez com que as mulheres recuassem, assustadas, em murmúrios.     Entre o rebanho de cordeiros, havia quem se destacasse.     A Princesa Imperial sustentou-lhe o olhar, erguendo-se com altivez, rosto inalterado, em fria dignidade: “O homem é a faca, eu sou o peixe; embora nosso país seja pequeno, não nos curvaremos à tua vontade, nem nos renderemos!”     “Ah?”     O Imperador Zhaoyuan sorriu levemente, os olhos negros fixos nela; sorria, mas seu olhar era gélido, capaz de fazer tremer a alma.     “Não temes a morte…”     Pareceu rir baixinho, e o brilho ameaçador em seu olhar percorreu todos os presentes. “Podes garantir que todas aqui também não temem a morte?”     A Princesa Imperial estremeceu sob a pressão invisível, que só serviu para inflamar ainda mais seu orgulho.     Ergueu o queixo, firme: “Se tardassem um pouco mais, todas as damas do palácio já teriam sacrificado a vida pela honra nacional.”     As palavras ressoaram com força, e lágrimas cintilaram nos olhos dos presentes; algumas, impetuosas, ameaçaram se lançar contra as colunas para morrer, e o salão tornou-se tumultuoso.     O Imperador Zhaoyuan não se irritou; observou com interesse a cena, e só quando se acalmaram voltou-se para a Princesa Imperial: “Vida ou morte, não me interessa—entregue-me o dente.”     Sua frase era enigmática, mas a princesa compreendeu de imediato; seu rosto tornou-se lívido, os lábios perderam o rubor.     “Tu…!”     Diante dos olhos negros e impassíveis do imperador, ela mordeu o lábio, deixando escorrer uma gota de sangue fresco—     “Jamais!”     “Sei que não temes a morte.”     O Imperador Zhaoyuan sacudiu a manga; uma carta voou de seu punho, caindo nas mãos da princesa.     Ela a abriu e, como se tivesse sido atingida por um raio, perdeu o vigor; por mais firme que fosse sua vontade, após um dia e uma noite sem comer, a vertigem a dominou, e ela caiu de joelhos.     “Não acredito!”     Sua voz era de uma tristeza desesperada; o vestido branco espalhava-se pelo chão, como flores de ameixa caindo no lodo, suscitando compaixão.     “Não acredito que meu pai, minha mãe, e meu irmão Jing, já lançados ao rio, possam ter sido capturados por ti!”     Murmurou, sem tirar os olhos da carta, reconhecendo a caligrafia do pai.     “O barco deles era veloz, mas meus soldados são mais rápidos!”     O Imperador Zhaoyuan falava com orgulho—os sulistas dominam as águas, difícil é aos nortistas vencer em embarcações, principalmente quando os botes do Príncipe de Tang eram manobrados por soldados robustos; que sua marinha conseguisse alcançar e capturar era feito digno de celebração—ao receber a notícia ao entardecer, sentiu-se satisfeito.     

        “Tu não temes a morte, mas teu pai, tua mãe e teu único irmão também desejam morrer pela pátria?”     A sentença atingiu o ponto mais vulnerável da Princesa Imperial Dan Jia, que enfim recuperou a lucidez em meio ao desespero.     O Príncipe de Tang, sua esposa e o filho único, Jing, haviam fugido de um porto oculto cinco dias antes da queda da cidade.     Na ocasião, insistiram para que Dan Jia fugisse com eles, mas ela recusou: “Alguém precisa guardar esta cidade.”     Os que ficaram o fizeram com a firmeza do sacrifício; os que partiram representavam a esperança infinita de Tang.     Agora, nada restava.     Dan Jia ergueu-se com esforço, apertando a pequena nota que escondera há dias na manga, como se dela pudesse extrair força.     Sua mente era um turbilhão—     Aquele falso imperador, guerreiro e usurpador, desejava o dente sagrado de Tang!     O Dente de Tang era um dos Nove Dentes, concedido pelo filho do céu aos governantes da terra, símbolo do poder nacional—como poderia cair nas mãos do inimigo?!     No momento de hesitação, ecoou ao seu ouvido a voz fria e implacável—     “Dou-te uma única chance: dar ou não dar, decide com uma palavra.”     “A vida de teus pais e irmão depende apenas de tua resposta.”     Neste instante, Dan Jia finalmente desabou: “Eu dou.”     Entregou a chave do tesouro secreto do palácio e o método de acesso, esgotada, olhos reluzindo em lágrimas, que teimava em não deixar cair diante dos inimigos.     O Imperador Zhaoyuan permaneceu diante dela, contemplando-a friamente enquanto ela se ajoelhava, sem conceder-lhe piedade ou permitir que alguém a auxiliasse.     Olhou-a de cima, vendo que as lágrimas já brilhavam em seus olhos, mas ela as continha, teimosa, com aquela expressão obstinada e o rosto como jade puro—     Muito tempo atrás, diante dele, também houvera uma mulher que lhe mostrara tal expressão…     O Imperador Zhaoyuan, maduro e implacável, por um breve instante, teve o olhar turvado por lembranças.     (Mahjong estende suas patinhas gordas~ pede por favoritismo, por apoio, e votos de recomendação~)